Depressão
- Barbara Passeri
- 7 de jan.
- 4 min de leitura
Escrevi esse texto anos atrás após ter finalizado o meu tratamento para depressão. Eu tive depressão no final da pandemia de covid. Fiz um ano de tratamento com medicação e continuei na terapia e depois não necessitei mais da medicação.
Escolho compartilhar com vcs esse texto (que elaborei em terapia), pois tenho visto muitos seguidores enfrentando tanto ansiedade quanto depressão nesse inicio de ano. Lembrando claro que cada história é única, mas quando compartilhamos nossa vulnerabilidade, acredito que nos tornamos mais humanos e assim podemos ajudar uns aos outros. Bora lá:
Agora mais afastada dela, depois do tratamento, consigo escrever mais claramente.
É como se perder de vc mesmo. É não lembrar mais das coisas boas, mesmo que se esforce. É estar tão cansada, que levantar da cama parece ser escalar uma alta montanha. É sentir culpa por ter tanto (diante da realidade dura da maioria da sociedade), mas não encontrar forças.
É medo de tudo. É medo de ter medo. Medo de enlouquecer. Medo de não aguentar outra crise de ansiedade. Medo de estar fazendo tudo errado e não saber o que. É sentir tudo e não sentir nada.
E vc não sabe o que é pior tudo ou nada. Equilíbrio parece uma palavra distante. Quando percebi que tinha algo errado, que estava chorando muito, que não queria mais fazer as coisas que eu gostava, que a apatia estava tomando conta dos meus dias, vivi um dos dias da minha vida que tive muita coragem, Eu pedi ajuda.
Pedir ajuda é difícil pq vc precisa aceitar que está doente e quando vc está cansado, vc pensa que não vai aguentar lutar. Eu não queria preocupar as pessoas, “dar trabalho” as pessoas que amo, até pq elas tb estavam enfrentando uma pandemia.
Quando penso em mim penso em alguém que gosta de fazer rir, trazer alegria, criatividade, parecia que essa doença não combinava comigo.
Mas a sensibilidade tb é uma característica minha. Eu sinto e sinto muito. E foram muita mortes nessa pandemia, muita dor e além de tudo batalhar pra entrar na fila de adoção, menstruação acabando comigo e uma terapeuta que não estava conseguindo me ajudar depois que a sessões se tornaram on-line.
Mesmo com tudo isso e mais um pouco eu pedi pra ir a uma consulta com psiquiatra. Lá tive o diagnóstico que já suspeitava, estava vivendo um episódio de depressão.
Depois da consulta, comecei com a ajuda da meditação, resolvi que trocaria de terapeuta e principalmente aceitei ajuda.
Meu marido esteve ao meu lado em todos os momentos. As vezes eu choro de lembrar que nos dias que estava tão ruim até da nossa relação eu duvidei. Pq na minha cabeça nosso amor poderia ser o suficiente pra me fazer levantar. Mas hoje vejo que o amor estava pra me ajudar com a doença e não pra fazer com que ela não existisse. E foi muito com a ajuda desse amor que consegui ir dando um passo de cada vez.
Meus pais, eu tenho muita dificuldade de pedir ajuda pra eles. Com a terapia eu sei que uma das razões é pelo fato de eu ter crescido com um familiar que tem uma doença grave que necessitou muitas vezes da atenção maior de meus pais. E procurava evitar “dar mais trabalho”. Muitas da vezes guardei pra mim minhas dores, pra não ser mais uma. Mas a depressão te deixa tão desesperada que até o colo dos meus pais que eu tanto tenho dificuldade de pedir, eu não pude evitar.
Depois de noites que já tinha deixado meu marido sem dormir cuidando de mim eu me senti tão culpada dele estar perdendo noites de sono e num momento que estava trocando de empresa que chamei pela minha mãe.
E eu deitada no chão chorando muito, vi minha mãe entrar e vi ela tentando disfarçar que não estava assustada comigo ali no chão desesperada chorando sem parar,
Mas ela ajoelhou colocou minha cabeça em seu colo e disse baixinho enquanto fazia carinho no meu cabelo: mamãe está aqui, vai passar.
Depois me levou pra sua casa, deu remédio, lanchinho. E hoje eu vejo como faltou colo na minha vida. Como eu não sei pedir colo.
Como antes da depressão eu pensava em superar minhas dores sozinha. Engolir o choro. Fazer piada, contornar a dor.
Mas a depressão me fez deitar no chão e enxergar por outro ângulo. Me mostrou que preciso acolher minha vulnerabilidade. Me mostrou que preciso de colo. E colo não somente pra esses momentos de crise, mas para pequenas tristezas da vida e alegrias tb.
Me deixou mais atenta para a ansiedade que faz parte da minha vida, há muito tempo sem diagnóstico. Mais atenta aos meus sentimentos e a minha saúde mental.
Escrevo esse texto com lágrimas nos olhos antes de dormir depois de um final de semana maravilhoso com meu marido que nunca naqueles dias ruins pensava que teria novamente. Parece clichê mas é verdade, um dia de cada vez.

Preciso acrescentar que a arte e Yoga foram muito importantes também nessa trajetória.





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